terça-feira, 3 de julho de 2007

Inocência Perdida






“E procuro aquela inocência que há tanto tempo foi perdida. Cadê aqueles sonhos? Nada mais faz sentido. Nada mais quer fazer sentido. Somente pelos olhos de quem consegue enxergar a verdade, a vida se abrange e torna tudo a sua volta como um mar de dúvidas intermináveis e que machucam. O medo de nada ser mais como antes é posto à frente de qualquer decisão e deixa um pé sempre atrás. A partir de então a confiança no próximo vai diminuindo, diminuindo, diminuindo até não existir mais. Eis que chega a solidão. Aquela sensação de ser só você e mais ninguém. Sozinho. Preso apenas às suas próprias opiniões e vontades, sem nem ao menos se importar em saber o que vai acontecer com quem está do seu lado. O dever de postar-se bem para si mesmo acaba sendo quebrado como a imagem no espelho que não quer mais refletir o que você se tornou. É apenas você e seu vazio agora. Você e um grande espaço entulhado de mentiras e solidão. Cadê a inocência para lhe salvar deste abismo? Onde ela se escondeu? Será que teve raiva de você e foi embora de vez? Ou apenas ficou com medo do que você estava se tornando e se escondeu? “


(Arthur Ferreira)