“E procuro aquela inocência que há tanto tempo foi perdida. Cadê aqueles sonhos? Nada mais faz sentido. Nada mais quer fazer sentido. Somente pelos olhos de quem consegue enxergar a verdade, a vida se abrange e torna tudo a sua volta como um mar de dúvidas intermináveis e que machucam. O medo de nada ser mais como antes é posto à frente de qualquer decisão e deixa um pé sempre atrás. A partir de então a confiança no próximo vai diminuindo, diminuindo, diminuindo até não existir mais. Eis que chega a solidão. Aquela sensação de ser só você e mais ninguém. Sozinho. Preso apenas às suas próprias opiniões e vontades, sem nem ao menos se importar em saber o que vai acontecer com quem está do seu lado. O dever de postar-se bem para si mesmo acaba sendo quebrado como a imagem no espelho que não quer mais refletir o que você se tornou. É apenas você e seu vazio agora. Você e um grande espaço entulhado de mentiras e solidão. Cadê a inocência para lhe salvar deste abismo? Onde ela se escondeu? Será que teve raiva de você e foi embora de vez? Ou apenas ficou com medo do que você estava se tornando e se escondeu? “
(Arthur Ferreira)
